quarta-feira, 27 de maio de 2009

'' A espera ''

Ela existe, é longa e sempre me foge seu fim quando vejo que estou chegando perto. O território é perigoso e caminha-se em solo feito de olhos invejosos, desviando-se de mãos e braços sedentos por um empurrão que vai te fazer cair. É longe o lugar que quero chegar, e nem só de quilômetros, metros e centímetros é feito esse caminho. Complicado mesmo é pular esses muros sem ferir minhas pernas nessas pontas-de-lança. Mas é de cima desses muros que eu te vejo. E, confesso, tua contentação com teu atual estado de cárcere não condiz com a tua vontade de mudar que me é relatada toda vez que te vejo. É tua incoerência que me faz esperar. Essa espera por um lapso de mudança ou qualquer outra manifestação que me faça crer que minha e tua casas serão um dia, a mesma. Te descobri assim, em pleno vôo livre rumo ao chão, quando meu relógio já marcava "tarde demais". E é quando eu encho novamente meus pulmões que eu percebo que teu nome permanece escrito em mim. É só fechar meus olhos e te ver escrita em minhas pálpebras.

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